AS 40 HORAS DE ANGICOS/RN: LEITURA DO MUNDO E DA PALAVRA NO SEMIÁRIDO NORDESTINO
Mots-clés :
Alfabetização, Educação popular, Consciência CríticaRésumé
O presente estudo analisa a experiência das “40 horas de Angicos” com o objetivo de evidenciar a eficácia da proposta de alfabetização desenvolvida por Paulo Freire no contexto do Semiárido Nordestino, ressaltando seu caráter inovador e emancipador. A metodologia adotada fundamenta-se em levantamento bibliográfico acerca do contexto histórico das campanhas de alfabetização no Brasil, especialmente na segunda metade do século XX, bem como na análise de estudos sobre a aplicação da experiência educativa em Angicos/RN. Os resultados indicam que o método freiriano, baseado no diálogo, nos Círculos de Cultura e na valorização do universo vocabular dos educandos, possibilitou não apenas a alfabetização em um curto período, mas também o desenvolvimento da consciência crítica, da participação cidadã e da mobilização social, como evidenciado pela atuação de trabalhadores na defesa de seus direitos. Ademais, verifica-se que a experiência contribuiu para que os sujeitos se reconhecessem como agentes históricos, capazes de compreender e transformar sua realidade. Entretanto, o avanço das iniciativas de alfabetização foram interrompidas pelo contexto político da época, sobretudo com a instauração do regime militar em 1964, que reprimiu e desarticulou projetos de educação popular por considerá-los ameaças à ordem vigente. Ainda assim, o legado dessa experiência permanece atual, reafirmando a educação como prática de liberdade e como instrumento essencial para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.Téléchargements
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