REFLEXÕES SOBRE UMA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA EM LETRAMENTO RACIAL NA ESCOLA DO CAMPO JOSÉ FIDELIS DE MOURA, EM SANTANA DO ACARAÚ - CEARÁ
Resumo
O artigo em questão analisa a experiência pedagógica de Letramento Racial Campesino desenvolvida na Escola de Ensino Médio Profissional do Campo José Fidelis de Moura, localizada no assentamento Bonfim Conceição, em Santana do Acaraú, no Ceará. A proposta busca promover uma educação voltada à valorização das relações étnico-raciais e à identidade negra nas comunidades do campo, historicamente marcadas por desigualdades e invisibilizações. A pesquisa-ação, realizada no âmbito de um mestrado, utilizou observações, entrevistas e questionários, ancorando-se no materialismo histórico-dialético para compreender as contradições de classe e raça no ambiente de ensino. A escola, fruto das lutas camponesas e vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), adota práticas que reforçam a cultura negra, como o uso de obras de autores afro-brasileiros, representações artísticas e debates permanentes sobre o racismo estrutural. O Letramento Racial Campesino, adaptado da teoria crítica da raça, foi sistematizado em sete tópicos formativos que abordam temas como branquitude, origem negra do campesinato e linguagem racista. As formações envolveram toda a comunidade escolar, contribuindo para o reconhecimento da ancestralidade afro-campesina e para a construção de uma consciência crítica sobre o racismo. O estudo conclui que o letramento racial é uma ferramenta fundamental para a transformação social e educacional, ao promover práticas antirracistas e libertadoras. A experiência da Escola José Fidelis evidencia que a educação do campo pode ser um espaço de resistência, reeducação e emancipação, fortalecendo o compromisso com uma sociedade mais justa, plural e equitativa, em que a diversidade é reconhecida como valor essencial. Palavras-chave: Campo. Relações étnico-raciais. LetramentoDownloads
Referências
ABL, Academia Brasileira de Letras. Letramento Racial. 2024. Disponível em:< letramento racial | Academia Brasileira de Letras> Acesso realizado em 07 de julho de 2025.
ALMEIDA, Sílvio Luiz de. Racismo Estrutural. São Paulo, Pólen, 2019.
Atlas da violência 2024. Coordenadores: Daniel Cerqueira; Samira Bueno – Brasília: IPEA; FBSP, 2024.
CEARÁ, Governo do Estado. Todo dia é dia de índio: quais são os povos indígenas do Ceará. 2019. Disponível em: < https://www.ceara.gov.br/2019/04/16/todo-dia-e-dia-de indio-quais-sao-os-povos-indigenas-do-ceara/> Acesso realizado em 26 de setembro de 2024.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à práticas educativas. 15. ed. São Paulo: paz e terra 2000.
GONZALEZ, Lélia. 2020. Por um Feminismo Afro-Latino-Americano: Ensaios, Intervenções e Diálogos. Rio Janeiro: Zahar. 375 pp.
IBGE. População Negra no Brasil. 2022. Disponível em: < https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/> Acesso realizado em 07 de julho de 2025.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro, 2000.
Kemmis, S. & McTaggart, R. (1988). The Action Research Planner. Deakin University Press, Geelong. 3ª edição, 1998.
LOWY, Michael. Ideologia e ciência social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Cortez, 1985.
PORTAL GELEDÉS. Letramento Racial: um desafio para todos nós. 2017. Disponível em: < https://www.geledes.org.br/letramento-racial-um-desafio-para-todos-nos-por neide-de-almeida/> Acesso realizado em: 24 de outubro de 2024.
MARX, Karl, FRIEDRICH Engels 1818-1883. Manifesto do Partido Comunista /, – 3.ed. – São Paulo: Expressão Popular, 2008. 68p.
MUNDO EDUCAÇÃO. Quilombos. 2020. Disponível em:< https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/quilombos.htm> Acesso realizado em 11 de julho de 2025.
OLIVEIRA, Adeliane Vieira de. A territorialização das escolas de ensino médio do campo: o caso da EEM. Francisco Araújo Barros no Assentamento Lagoa do Mineiro em Itarema – Ceará. Sobral, 2018. 202 p. Dissertação (Mestrado Acadêmico em Geografia) – Universidade Estadual Vale do Acaraú/Centro de Ciências Humanas.
PINHEIRO, Bárbara Carina Soares. Como ser um educador antirracista. São Paulo: Planeta do Brasil, 2023.
ROSA, José Wagner da. O campesinato como modo de vida. v.1, nº2 jan-jun,2012. p.98 -107.
SANTOS, Maxwell Souza dos; AMORIM, Marcel Álvaro. O Letramento racial crítico em vestibulares: o caso da UNICAMP sob a ótica dialógica. In: CONEDU, VII, 2021, Maceió.
SOARES, M. H. Letramento e Multiletramentos. São Paulo: Cortez. 2018.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Os autores mantêm os direitos autorais de seus trabalhos e concedem à RHET o direito de primeira publicação, estando o manuscrito licenciado sob a licença Creative Commons Attribution (CC BY), que permite o compartilhamento, a distribuição e a adaptação do conteúdo, desde que sejam devidamente reconhecidas a autoria e a publicação original nesta revista.
- Os autores poderão firmar, separadamente, acordos adicionais para distribuição não exclusiva da versão publicada do trabalho, tais como depósito em repositórios institucionais, publicação em livros, capítulos ou outras coletâneas, desde que seja mencionada a publicação inicial na RHET.
- A revista incentiva a divulgação e circulação dos trabalhos publicados em ambientes acadêmicos e digitais, incluindo repositórios institucionais, páginas pessoais, redes acadêmicas e demais meios de acesso aberto, considerando que tais práticas contribuem para a ampliação da visibilidade, do impacto científico e das citações da produção publicada.
- Os autores são integralmente responsáveis pelo conteúdo, pelas informações, pelas opiniões e pelas referências apresentadas nos manuscritos publicados.
- Os artigos submetidos deverão ser acompanhados de declaração de revisão linguística em língua portuguesa, assinada por profissional habilitado, bem como de declaração de tradução e revisão dos resumos e demais elementos em língua estrangeira (inglês, espanhol ou francês), igualmente assinada pelos respectivos profissionais responsáveis.