EDITORIAL
Resumo
A Revista Homem, Espaço e Tempo, em seu compromisso de difundir o conhecimento científico, lança sua edição 19, volume 2, ano 2025 composta por nove artigos oriundos pesquisas acadêmicas na área de ciências humanas e 23 artigos do “Dossiê Educação para relações étnico-raciais e a construção de um Brasil democrático e popular: Território, Interculturalidade e Saberes que vêm das margens”. Os artigos da edição 19 - número 2, possem uma diversidade temática e se inserem no foco e escopo da revista, consolidando a importância regional, nacional e internacional do periódico. Esses trabalhos, ao dialogarem com questões ambientais, sociais, históricas e territoriais visam promover uma reflexão crítica e contínua sobre as relações humanas no âmbito da natureza e da sociedade. Nesta edição damos destaque aos artigos que integram o Dossiê “Educação para relações étnico-raciais e a construção de um Brasil democrático e popular: Território, Interculturalidade e Saberes que vêm das margens”. Esse Dossiê foi pensado pelas organizadoras como proposta de trazer ao centro da discussão acadêmica a educação para as questões étnico raciais situando-a no Brasil em diversos aspectos. A extensão deste debate é fruto da luta histórica dos movimentos sociais negros e indígenas e, consequentemente, motivada pelo avanço das políticas públicas associadas a estas lutas. Em um país cuja formação histórica e social é marcada pelo colonialismo, escravagismo e racismo há ainda muitas limitações e dificuldades para implementação de uma educação antirracista e anticolonial. Kabengele Munanga nos conduz a refletir que as raízes do colonialismo estão presentes nas estruturas educacionais brasileiras e gera uma normalização de uma lógica racista e elitista nas relações e na produção de conhecimentos científicos no território nacional. Estas limitações podem ser percebidas na dificuldade da efetivação de conteúdos e práticas antirracistas no cotidiano escolar, na demora em renovar currículos e na resistência em reconhecer o status epistemológico dos saberes indígenas, africanos e afro-brasileiros. Nota-se a persistência de práticas coloniais nos livros didáticos, nos planos de aula, nos projetos político pedagógico dos cursos e nas atividades cotidianas dos espaços educacionais. Há, ainda, um longo caminho para percorrer e avançar nesta perspectiva, embora diversas iniciativas atuem como forças de resistência e renovação deste cenário. Neste sentido, o Dossiê "Educação para relações étnico-raciais e a construção de um Brasil democrático e popular: Território, Interculturalidade e Saberes que vêm das margens” selecionou e organizou artigos que contribuem para reflexão sobre um projeto de Brasil popular distanciado da égide eurocêntrica, branca, patriarcal e colonial. Ao mesmo tempo, colabora no fortalecimento das identidades e das culturas populares que historicamente foram negadas e silenciadas, a partir de um nexo entre raça, classe e gênero, corroborando com o conceito de amefricanidades de Lélia Gonzalez, enquanto uma categoria que funciona como lente para refletirmos sobre a percepção de um Brasil a partir da diversidade e interculturalidade que compõem o seu povo. O Dossiê considera urgente construir reflexões sobre as concepções, práxis e experiências voltadas para uma educação antirracista que contribuem e tem potencial para a construção de uma sociedade democrática e emancipatória, sobretudo, nos campos da Geografia, História, Ciências Sociais e áreas afins. Cabe mencionar que o dossiê recebeu 64 textos e que todos foram submetidos a avaliação por pares. Os artigos que ainda continuam em avaliação, serão, caso aprovados, inseridos nesta edição de 2025.1. As organizadoras do Dossiê agradecem aos autores e autoras pelas contribuições científicas e convidam a todos/as à leitura dos artigos presentes nesta edição. Boa leitura! Equipe Editorial da Revista Homem, Espaço e Tempo e Organizadoras do Dossiê Educação para relações étnico-raciais e a construção de um Brasil democrático e popular: Território, Interculturalidade e Saberes que vêm das margens. Dezembro de 2025Downloads
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