CORPOS, SABERES E TERRITÓRIOS: EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E PRÁTICAS DECOLONIAIS EM CONTEXTOS PERIFÉRICOS
Resumo
Este artigo analisa práticas pedagógicas antirracistas em territórios periféricos, enfocando a construção identitária e cultural de crianças muito pequenas do Grupo 01 de uma creche localizada no bairro do Coque, em Recife, a partir de saberes afro-brasileiros e indígenas. Parte-se do reconhecimento histórico do colonialismo, da escravidão e do racismo estrutural no Brasil, evidenciando como tais processos impactam a organização das escolas, currículos e materiais didáticos, reproduzindo desigualdades e invisibilizando saberes marginalizados. A pesquisa adota abordagem qualitativa, integrando observação participante, entrevistas semiestruturadas e análise documental das atividades desenvolvidas no cotidiano da creche e em espaços de mediação cultural. Os resultados demonstram que práticas de leitura de literatura afro-brasileira, oficinas culturais, músicas e atividades corporais promovem a valorização da identidade racial, fortalecem o pertencimento territorial e possibilitam a construção de uma consciência inicial sobre diversidade e pertencimento cultural. Observa-se que a incorporação de saberes comunitários e culturais transforma o território periférico em espaço legítimo de aprendizagem, rompendo com a lógica eurocêntrica e elitista dominante. Conclui-se que iniciativas pedagógicas dirigidas a crianças muito pequenas, quando articuladas com cultura e território, contribuem para a formação de sujeitos críticos, conscientes de sua história e cultura, favorecendo uma educação antirracista, decolonial e intercultural desde os primeiros anos de vida.Downloads
Referências
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