CONSTRUIR SUJEITOS SENSÍVEIS PELA LITERATURA: ESCREVIVÊNCIA EM “MARIA” E O ENSINO DE HISTÓRIA PARA EDUCAÇÃO ÉTNICO-RACIAL
Palavras-chave:
Escrevivência, Educação Étnico-Racial, Consciência HistóricaResumo
Para se fazer cumprir a Lei 10.639/03, é preciso romper com dois mitos fundantes da consciência histórica brasileira: o mito da democracia racial e o mito da não violência. Nesse sentido, imprimir um retrato da história do Brasil na sala de aula é um desafio que exige a criação de estratégias pedagógicas para tal. A utilização da Literatura numa proposta pedagógica interdisciplinar com a História é um meio de criar um horizonte imagético que fomente a reflexão crítica sobre a historicidade e temporalidade dos educandos. Diante disso, a presente pesquisa objetiva investigar os efeitos da literatura de teor testemunhal de Conceição Evaristo na desconstrução de representações míticas da população negra no Brasil em uma atividade didática atenta às sensibilidades na História, o que se relaciona à maneira como se lida com a identidade e a diferença nas relações sociais. A pesquisa se ancora na História das Sensibilidades – vertente da História Cultural – e na teoria Pós-colonial, e possui metodologia documental e bibliográfica a partir de uma abordagem qualitativa que se dá por meio da análise do conto “Maria”, presente na obra “Olhos d´água”, em cruzamento com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, o levantamento bibliográfico realizado, bem como a experiência concreta em uma escola de ensino básico de Acaraú/CE. Dessa forma, foi possível construir um espaço democrático de aula que pudesse mobilizar a consciência histórica dos educandos, situando-os como sujeitos históricos mediante a aproximação do passado com o presente através da literatura.Downloads
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