A AGRICULTURA INDÍGENA E A ANCESTRALIDADE KALI’NA DA COMUNIDADE SÃO JOSÉ DOS GALIBI NO MUNICÍPIO DO OIAPOQUE: GÊNESE E METAMORFOSES NAS DUAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XXI
Palavras-chave:
Agricultura indígena, Saberes tradicionais, Identidade, MemóriaResumo
A presente pesquisa teve como objetivo geral de compreender como as práticas da agricultura indígena, articuladas aos saberes ancestrais e à identidade étnica dos Galibi Kali’na, se transformaram e se mantiveram na comunidade São José do Galibi, no município do Oiapoque, nas duas primeiras décadas do século XXI. A escolha deste tema se apoia em fundamentos teóricos e empíricos que transcendem uma motivação meramente exploratória. A agricultura tradicional amazônica, em termos gerais, sofre as consequências do avanço da agricultura mecanizadas, como por exemplo, a perda da biodiversidade e a imposição de padrões de consumo que enfraquecem a autonomia alimentar. A relevância desta investigação está, portanto, em compreender como a agricultura, especialmente a mandioca, eixo alimentar e simbólico dos Galibi-Kali’na sustenta o cotidiano e formas específicas de organização social, de memória e de solidariedade. Os resultados mostram que a roça funciona como espaço de ensino, convivência e transmissão de saberes. Assim, o estudo confirma que a agricultura desempenha papel decisivo na manutenção da identidade Galibi-Kali’na. Ao mesmo tempo a roça é, fonte de alimento e território de afirmação cultural, onde o trabalho diário é também um ato de cuidado com o passado e de compromisso com o futuro. Portanto, compreender essa dimensão da agricultura dos Galibi Kali’na, na comunidade São José do Galibi e valorizá-la, é tarefa para quem elabora políticas públicas, projeta programas de desenvolvimento ou pensa a sustentabilidade de maneira efetiva.Downloads
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