Revista Homem, Espaço e Tempo //rhet.uvanet.br/index.php/rhet <p data-start="144" data-end="607">A Revista Homem, Espaço e Tempo é um periódico científico vinculado ao Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), registrado sob o ISSN eletrônico 1982-3800. Tem como objetivo principal a divulgação de artigos científicos inéditos, resultantes de pesquisas acadêmicas desenvolvidas nos níveis de graduação e pós-graduação, que contribuam para o fortalecimento e o aprofundamento dos debates nas áreas das Ciências Humanas.</p> <p data-start="614" data-end="1030">O periódico encontra-se organizado em diferentes seções e possui periodicidade semestral, destinando-se a pesquisadores, profissionais e discentes em processo de formação acadêmica. A Revista Homem, Espaço e Tempo agradece o interesse de todos que buscam este espaço de comunicação científica, reafirmando seu compromisso como um importante veículo de divulgação e socialização da produção da comunidade acadêmica.</p> pt-BR Revista Homem, Espaço e Tempo 1982-3800 <p style="text-align: justify;">Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos: Autores mantêm os direitos autorais e concedem à RHET o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.:em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo editorial, já que isso pode aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja o Efeito do Acesso Livre). Autores são responsáveis pelo conteúdo constante no manuscrito publicado na revista. Autores são responsáveis por submeter os artigos acompanhados de declaração assinada de um revisor da língua portuguesa, declaração assinada do tradutor da língua inglesa e declaração assinada do tradutor da língua espanhola ou francesa.</p> ANÁLISE DAS COBERTURAS E USOS DA TERRA DO MUNICÍPIO DE SENADOR POMPEU - CE //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/709 <p>A intensificação das atividades agropecuárias no semiárido brasileiro tem provocado severas transformações na paisagem, resultando na redução das coberturas vegetais nativas e na fragmentação dos ecossistemas da Caatinga. Diante desse cenário, a presente pesquisa teve o objetivo de analisar as coberturas e os usos da terra no município de Senador Pompeu, Ceará, identificando os principais padrões de ocupação e o grau de fragmentação das formações vegetais remanescentes. O estudo baseou-se nos pressupostos teórico da Ecologia da Paisagem e utilizou dados do projeto MapBiomas (Coleção 2 – Beta), integrados em ambiente SIG. Foram mapeadas sete classes de uso e cobertura da terra: formação florestal, formação savânica, pastagem, mosaico de usos, área urbanizada, outras áreas não vegetadas e açudes. Os resultados indicaram que as formações savânicas predominam, ocupando 67,75% da área municipal, seguidas pelas pastagens (22,72%) e mosaico de usos (7,62%). As formações florestais representam apenas 0,28% do território, evidenciando a forte pressão antrópica sobre os ecossistemas locais. A análise da fragmentação revelou que mais de 90% dos fragmentos de vegetação nativa possuem área inferior a um hectare, indicando elevado grau de isolamento e fragilidade ambiental. Como contribuição, o estudo fornece informações essenciais para subsidiar políticas de conservação, recuperação de áreas degradadas e ordenamento territorial. Os resultados reforçam a necessidade de estratégias de manejo sustentável que assegurem a conectividade dos habitats e a manutenção dos serviços ecossistêmicos no semiárido cearense.</p> André Alves Coelho Luiza Teixeira de Almeida João Luís Sampaio Olímpio Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 FRAGMENTAÇÃO, SEGREGAÇÃO E DIREITO À CIDADE: DEBATES SOBRE A PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO CAPITALISTA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/630 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo tem o intuito de discutir sobre o conceito de fragmentação, segregação socioespacial e direito à cidade. A produção do espaço urbano no sistema capitalista impulsiona as discussões sobre as organizações socioespaciais e o direito à cidade, tendo em vista as transformações que ocorrem com a intensificação do setor privado na produção das cidades. Desse modo, o texto aborda a fragmentação socioespacial vista como um processo que engloba a dificuldade de acessos dentro do espaço urbano fragmentado, a segregação aprofundada através das fortes homogeneidades e suas disparidades no espaço fragmentado. A discussão sobre o direito à cidade emerge como um contraponto às fortes disparidades sociais enraizadas na produção do espaço pelo sistema de mercado. A discussão se pauta em fortalecer a geografia urbana crítica quanto a força capitalista na produção do espaço urbano. </span></p> Carolina Fernanda Azevedo Costa Osvaldo Rocha Silva Antônio Cardoso Façanha Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 ANÁLISE DOS ESPAÇOS DE LAZER E DO PATRIMÔNIO AMBIENTAL URBANO DE RIALMA (GO): DIREITO À CIDADE E GESTÃO PARTICIPATIVA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/627 <p>O artigo apresenta um estudo de caso no município de Rialma (GO), cujo objetivo foi desenvolver um mapeamento e uma avaliação qualiquantitativa dos espaços de lazer e do patrimônio ambiental urbano, analisar a atuação do poder público municipal na implementação e manutenção desses espaços e identificar suas potencialidades e vulnerabilidades, bem como a percepção dos moradores sobre as políticas de lazer municipais. Como metodologia, foram realizadas revisões de literatura e pesquisa documental (leis, decretos e outros documentos oficiais municipais). Além disso, foram desenvolvidos trabalhos de campo para realização do mapeamento, análise da distribuição desses espaços de lazer na malha urbana, levantamento/avaliação das infraestruturas disponíveis e aplicação de questionários de opinião pública à população residente. A pesquisa demonstrou que o município, embora esteja próximo de alguns indicadores quantitativos sugeridos, demanda por melhorias na infraestrutura, manutenção e acessibilidade desses espaços de lazer que, por falta de investimentos, tornam-se subutilizados ou inutilizados, impactando negativamente a qualidade de vida local.</p> Alessandra Nunes Ribeiro Luana Nunes Martins de Lima Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 AS ESCOLAS DE ENSINO MÉDIO DO CAMPO NO CEARÁ NO FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE CAMPONESA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/626 <p><span style="font-weight: 400;">O artigo em pauta investiga a Educação do Campo como um direito conquistado pela luta dos trabalhadores e&nbsp; trabalhadoras Sem Terra, destacando sua função na construção da identidade camponesa e no fortalecimento das lutas sociais. Assim, analisa o processo de territorialização da Educação do Campo no Ceará, especialmente com a criação das Escolas de Ensino Médio do Campo. Para tanto, buscamos entender o processo de luta pela educação do campo, bem como os significados e sentidos que a educação tem no fortalecimento da luta pela terra e, por conseguinte, do campesinato. As discussões feitas neste trabalho resultam de pesquisa qualitativa realizada mediante a associação de dois eixos fundamentais: observação participante, pesquisa bibliográfica e documental. Na busca pelo entendimento das questões vivenciadas na Pesquisa, recorremos à leitura de teóricos como Stédile (2015), Caldart (1997; 2012), Molina (2004; 2014), Sousa (2016), Fernandes (2000; 2008), Oliveira (2018) e Santos (2024), dentre outros. A pesquisa apontou que a experiência e a resistência são alicerces para a construção da Educação do Campo voltada para o fortalecimento da consciência de classe e identidade camponesa.</span></p> Jairo Jonas Bezerra Sandra Maria Fontenele Magalhães Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 GEOGRAFIA E ENSINO EM TEMPO INTEGRAL: DESAFIOS E PERCEPÇÕES DE DOCENTES VERIFICADOS A PARTIR DE TESES E DISSERTAÇÕES DO PORTAL BDTD //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/675 <p>A educação em tempo integral vem sendo implementada por todo território brasileiro nos últimos anos, objetivando ampliar a jornada escolar e promover o desenvolvimento humano integral. O presente artigo teve como objetivo conhecer, por meio de pesquisas <em>strictu sensu</em>, o posicionamento e visão de professores de Geografia nas escolas de tempo integral. A metodologia teve como base a pesquisa bibliográfica de dissertações e teses disponíveis na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), entre os anos de 2015 e 2025. nossa partir dos trabalhos encontrados, foi realizada uma análise qualitativa dos dados com foco nas diversas experiências relatas por docentes de Geografia por diferentes regiões do Brasil. Os resultados apontam que mesmo os docentes entendendo a relevância do da Educação Integral e o papel da Geografia nas formações crítica e cidadã dos alunos, também enfrentam dificuldades para exercer sua prática docente, como falta de recursos e desafios na adaptação curricular às especificidades das escolas de tempo integral. Consideramos que as percepções dos docentes são fundamentais para o aprimoramento desse modelo de ensino, o que torna necessário realizar melhorias no ensino de Geografia em escolas de tempo integral.</p> Solimara Aparecida Tertuliano Henrique Manoel da Silva Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 O ENSINO DE GEOGRAFIA E NOVAS POSSIBILIDADES DE METODOLOGIAS ATIVAS: INDICAÇÕES E ANÁLISE DE PRODUTORES DE CONTEÚDO GEOGRÁFICO PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/636 <p>O ensino de Geografia na educação básica, historicamente, tem sido associado a uma abordagem conteudista e mecanicista, centrada na memorização de conceitos, nomes de capitais e localizações geográficas. Essa visão limitada ainda persiste entre estudantes e até mesmo entre docentes de outras áreas, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental, contribuindo para o enfraquecimento do caráter crítico e formativo da disciplina. No entanto, com o avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), essa realidade vem sendo transformada. O acesso a plataformas digitais e a crescente oferta de materiais didático-pedagógicos específicos para a Geografia têm possibilitado práticas mais dinâmicas, interativas e alinhadas às metodologias ativas, potencializando o processo de ensino-aprendizagem. A metodologia deste estudo apoia-se em pesquisa bibliográfica, com base em livros, artigos científicos e monografias sobre o ensino de Geografia, além de uma observação exploratória em três plataformas digitais: Prigeo, Edhumanas e Imprima Esta Ideia com o intuito de identificar, analisar e, quando pertinente, adquirir materiais voltados à educação básica. O objetivo central do artigo é divulgar e analisar a produção de recursos didáticos contemporâneos para o ensino de Geografia, promovendo sua valorização e incentivando práticas pedagógicas mais criativas, reflexivas e eficazes em sala de aula.</p> Italo Ramon Sales Silva Antonio Leonardo Silva Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 CARTO-FALAS E ASTRONOMIA NA CULTURA: CONTEXTOS ENUNCIATIVOS DAS VIVÊNCIAS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DA CASA DE QUITÉRIA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/633 <p><span style="font-weight: 400;">Compreender a importância da Astronomia dentro da realidade socioespacial tem sido um tema de discussão entre pesquisadoras(es) da Geografia no século XXI. Esses saberes, outrora trabalhados em conjunto, separaram-se no século XIX, quando a Astronomia consolidou-se como ciência autônoma, embora de caráter interdisciplinar. Nesse contexto, esta exposição tem como objetivo descrever vivências, saberes e fazeres de crianças e adolescentes acerca da Astronomia. Para tanto, recorreu-se à produção de mapas vivenciais em uma pesquisa participante com crianças e adolescentes do distrito Baixio das Palmeiras (Crato-CE), em especial aquelas(es) vinculadas(os) à Casa de Quitéria. A partir desse recorte, estruturou-se a oficina de 'carto-falas' e mapas vivenciais, baseada na metodologia de Seemann (2012; 2013) e Lopes e Costa (2023). Os resultados revelam que</span> <span style="font-weight: 400;">a Astronomia, na cultura dessas crianças, emerge de experiências postas pela sua relação com o meio, inclusive o mundo digital, redefinindo significados e visões de como é o céu. Por fim, as 'carto-falas' evidenciam a necessidade de aprofundar conceitos astronômicos com o grupo, articulando conhecimento cultural e científico, de modo a destacar sua relevância na vida cotidiana.</span></p> Bianca Alencar de Almeida Allanna Larissa Silva Macedo Cassio Expedito Galdino Pereira José Anderson de Sousa Emerson Ribeiro Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 FATO, FICÇÃO E MITO EM LUZIA HOMEM DE DOMINGOS OLYMPIO //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/660 <p>Em perspectiva antropológica, o artigo analisa o romance Luzia Homem, de Domingos Olympio (1903), que tem por pano de fundo a tragédia da seca que assolou o Ceará entre 1877 e 1879, quando legiões de retirantes do ressequido sertão encontram abrigo temporário na cidade de Sobral. Entre eles, a “taciturna e forte” Luzia, a personagem central, que compõe, nas palavras de Lúcia Miguel Pereira, um “dos tipos mais complexos e misteriosos de nossa ficção”. Após introduzir dados da vida do autor e discutir brevemente aspectos da fortuna crítica do romance em distintas épocas, enfocamos no primeiro item a relação existente entre os fatos vividos pelo autor em Sobral e sua elaboração ficcional que constrói a trama coesa e a força narrativa do romance. O segundo item realça o engenhoso uso dos causos e do linguajar populares na escrita literária e o terceiro explora a emergência de diferentes imagens do feminino a partir da relação complementar das personagens Luzia e Teresinha, indicando a dimensão mítica alcançada pela complexa construção de sexo-gênero da personagem central do romance. Enfatizamos a dramática abordagem do assédio sexual cujo desfecho fatal faz de Luzia, para sempre, o símbolo de uma sexualidade em processo de descoberta, conferindo-lhe natureza mítica que envolve todo o enredo.</p> Maria Laura Cavalcanti Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 SOBRAL, BATALHAS DE RAP E DIREITO À CIDADE NA PRODUÇÃO DE REGIMES DE HISTORICIDADE: PERSPECTIVAS DE UM PROJETO PEDAGÓGICO ATRAVÉS DO HIP HOP //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/726 <p><span style="font-weight: 400;">A partir da análise das batalhas de rap realizadas em Sobral e das narrativas orais de MC’s e agentes culturais locais, compreendemos o movimento Hip Hop como uma via de efetivação do “Direito à Cidade”, na medida em que reivindica e ocupa espaços, produz territorialidades e constrói relações espaço-temporais. A pesquisa identifica a emergência de um regime de historicidade periférico, em contraposição à temporalidade hegemônica instituída pela historiografia e pelo patrimônio oficial da cidade. Neste artigo, destacamos as práticas político-pedagógicas que o projeto artístico, social e estético do Hip Hop sobralense ativa, evidenciando-o como um campo de produção de saberes das margens e de experiências formativas populares. As reflexões propostas buscam contribuir para o debate sobre as pedagogias urbanas e contra-coloniais que emergem das periferias, como formas de revitalização das utopias e das possibilidades de “esperançar”.</span></p> Orlando Mendes Ramos Telma Bessa Sales Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 BEM VIVER E EDUCAÇÃO DECOLONIAL: POR OUTROS CAMINHOS EPISTÊMICOS //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/732 <p>É premente a construção de novas perspectivas que culminem em propostas de educação decolonial. Defendemos o Bem Viver indígena como uma possibilidade perceber e valorizar as pluriversalidades. A investigação empreendida foi balizada nos estudos sobre colonialidade, de Quijano (2005; 2002), e em outras perspectivas decoloniais, como a de Mignolo (2008), Escobar (2005), entre outros. Os resultados das reflexões realizadas apontaram a compreensão de que o lugar geográfico e social que cada um de nós ocupa na sociedade pode desvelar diferentes maneiras de se relacionar com a terra, com a natureza e com o coletivo, revelando, portanto, outros caminhos possíveis para a construção de um outro mundo pautado na equidade, na justiça social e no bem comum. Portanto, o caminho é árduo, requer luta e estratégias de enfrentamento para a desconstrução dos padrões destrutivos que foram criados pelo sistema-mundo-capitalista-colonial, tornando imprescindível o investimento nos processos educativos e na discussão de uma renovação curricular com bases também em outras matrizes filosóficas e epistêmicas, para que este mundo utópico tenha possibilidade de ser erigido.</p> Lorranne Gomes da Silva Sélvia Carneiro de Lima Ludimila Stival Cardoso Alexsander Batista e Silva Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 O POTENCIAL PEDAGÓGICO DA CATEGORIA POLÍTICO-CULTURAL DE AMEFRICANIDADE //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/743 <p><span style="font-weight: 400;">O presente artigo analisa o potencial pedagógico da categoria político-cultural de amefricanidade, desenvolvida por Lélia Gonzalez, como instrumento de descolonização do saber no contexto educacional brasileiro. Adota-se abordagem qualitativa, com metodologia bibliográfica, a partir da revisão crítica da obra de Gonzalez e de sua interlocução com a teoria da racialização dos direitos humanos de Thula Pires, propondo-se uma educação fundamentada na experiência da zona do não-ser e na convivência intercultural. Os resultados demonstram que a pedagogia amefricana rompe com a epistemologia eurocêntrica do projeto moderno-colonial de ensino, preservando a história e os saberes dos povos negros nas Américas como elementos constitutivos e estruturantes do processo educativo. Conclui-se que um direito à educação afrocentrado promove o resgate e a afirmação da humanidade de todo um grupo étnico-racial, contribuindo para a construção de um sistema educacional mais democrático.</span></p> Bianca de Oliveira Leonardo Macedo da Silva Marques Alexia Caroline Gonçalves de Assis Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 A APLICABILIDADE DA LEI Nº 10.639/03 NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/689 <p>A inserção de temáticas raciais nas instituições educacionais está respaldada na Lei n° 10.639/03 enquanto aparato jurídico-institucional e nas demandas sociais da educação brasileira. Trata-se de uma obrigação de natureza pedagógica visando desalienar mentalidades e o processo pedagógico, sendo também uma necessidade de natureza política por representar a luta histórica e atual do Movimento Negro Brasileiro em prol da valorização de saberes afro-brasileiros e africanos. Nesse sentido, o artigo teve como objetivo analisar a aplicabilidade da Lei nº 10.639/03 a luz da transposição didática dos residentes e do Programa Residência Pedagógica do subprojeto de licenciatura em Geografia do Instituto Federal de Educação do Ceará Campus Crateús. Para tanto, utilizou-se a pesquisa de natureza qualitativa de cunho bibliográfica e a entrevista semiestruturada como procedimentos metodológicos. Partimos do pressuposto que os programas de iniciação à docência são capazes de auxiliar as demandas da educação básica na medida em que nos aproxima do lócus de atuação profissional e ao buscar preencher lacunas de formação. Notou-se que o Programa Residência Pedagógica se constitui como uma vasta política de formação de professores que contribui para a construção da identidade docente e supre parte das lacunas de aprendizagem. Contudo, as discussões são incipientes no programa, havendo uma lacuna no processo formativo com ênfase nas questões raciais. &nbsp;</p> Arnóbio Rodrigues de Sousa Júnior Antonio Avelar Macedo Neri Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 “ESTAVA NA FAVELA RESPIRANDO O ODOR DOS EXCREMENTOS”: LITERATURA E EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA NA EEEP ÍCARO DE SOUSA MOREIRA, EM FORTALEZA-CE //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/737 <p><span style="font-weight: 400;">Este trabalho é fruto das sementes da Educação para Relações Étnico-Raciais no Ensino de Geografia (ERERGEO), que vêm sendo cultivadas na Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Ícaro de Sousa Moreira, localizada no bairro Granja Lisboa, em Fortaleza-CE. A interação educativa contextualizada faz parte das ações de pesquisa e extensão realizadas desde março de 2025 na escola supracitada e que trabalham a Lei n° 11.645/2008 nas aulas de Geografia, por meio do GEOliterart. A partir de tais ações, a intenção é promover uma Educação Geográfica antirracista, que contribua para uma formação cidadã. Sendo assim, o estudo aborda uma das atividades realizadas em torno do conceito de “racismo ambiental”, cujos resultados evidenciaram que Geografia Literária possibilitou aos(às) estudantes a construção de uma leitura e interpretação crítica do espaço geográfico.</span></p> Emilly Fernandes de Araújo Tereza Sandra Loiola Vasconcelos Leandro Leite da Silva Maciel Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 REFLEXÕES SOBRE UMA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA EM LETRAMENTO RACIAL NA ESCOLA DO CAMPO JOSÉ FIDELIS DE MOURA, EM SANTANA DO ACARAÚ - CEARÁ //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/731 <p>O artigo em questão analisa a experiência pedagógica de Letramento Racial Campesino desenvolvida na Escola de Ensino Médio Profissional do Campo José Fidelis de Moura, localizada no assentamento Bonfim Conceição, em Santana do Acaraú, no Ceará. A proposta busca promover uma educação voltada à valorização das relações étnico-raciais e à identidade negra nas comunidades do campo, historicamente marcadas por desigualdades e invisibilizações. A pesquisa-ação, realizada no âmbito de um mestrado, utilizou observações, entrevistas e questionários, ancorando-se no materialismo histórico-dialético para compreender as contradições de classe e raça no ambiente de ensino. A escola, fruto das lutas camponesas e vinculada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), adota práticas que reforçam a cultura negra, como o uso de obras de autores afro-brasileiros, representações artísticas e debates permanentes sobre o racismo estrutural. O Letramento Racial Campesino, adaptado da teoria crítica da raça, foi sistematizado em sete tópicos formativos que abordam temas como branquitude, origem negra do campesinato e linguagem racista. As formações envolveram toda a comunidade escolar, contribuindo para o reconhecimento da ancestralidade afro-campesina e para a construção de uma consciência crítica sobre o racismo. O estudo conclui que o letramento racial é uma ferramenta fundamental para a transformação social e educacional, ao promover práticas antirracistas e libertadoras. A experiência da Escola José Fidelis evidencia que a educação do campo pode ser um espaço de resistência, reeducação e emancipação, fortalecendo o compromisso com uma sociedade mais justa, plural e equitativa, em que a diversidade é reconhecida como valor essencial.</p> <p><strong>Palavras-chave: </strong>Campo. Relações étnico-raciais. Letramento</p> Daniel Carneiro Mendes Bruna Dayane Xavier de Araújo Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 EDUCAÇÃO ÉTNICO-RACIAL NAS ESCOLAS DO CENTRO DE ENSINO RURAL DO MUNICÍPIO DE CAICÓ - RN //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/646 <p>O presente trabalho trata do relato de experiência em seis escolas públicas que integram o Centro Rural de Ensino do Município de Caicó – RN. A partir das Lei nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 que tornam obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira e Indígenas nos estabelecimentos de ensino brasileiros, foi necessário e urgente adequar o currículo das escolas que integram o Centro Rural de Ensino do Município de Caicó – RN. Nessa perspectiva partimos do pressuposto de que a Educação Étnico-Racial precisa ir muito além de uma celebração no dia da consciência Negra, 20 de novembro, é necessário um trabalho que esteja integrado a prática pedagógica no decorrer do ano letivo.&nbsp; Assim, elaboramos um planejamento considerando esse olhar de continuidade. Dentre as ações inserimos o Bisaco da leitura Étnico-Racial, a partir desse recurso didático os alunos tem acesso a literatura Afro-brasileira e indígena que não estão disponíveis em ambiente escolar e nem tão pouco nos lares dos alunos. A partir dessa ação inserimos uma ampla literatura, desde história em quadrinhos a releituras de clássicos. A partir desse trabalho observamos a ampliação do conhecimento em relação a sua própria história, o resgate da própria identidade, além do letramento a partir da literatura étnico-racial.</p> <p>&nbsp;</p> Izabel Cristina da Silva Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 IMPLEMENTAÇÃO DAS LEIS N. 10.639/2003 E 11.645/2008: A EXPERIÊNCIA DOS NÚCLEOS DE ESTUDOS DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS DE BELO HORIZONTE //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/663 <p><span class="TextRun SCXW57456453 BCX8" lang="PT-BR" xml:lang="PT-BR" data-contrast="auto"> <span class="NormalTextRun SCXW57456453 BCX8">Esta pesquisa analisou as ações do Núcleo de Estudos das Relações Étnico-Raciais (</span><span class="NormalTextRun SpellingErrorV2Themed SCXW57456453 BCX8">Nerer</span><span class="NormalTextRun SCXW57456453 BCX8">) como política pública da Prefeitura de </span><span class="NormalTextRun SCXW57456453 BCX8">Belo Horizonte</span><span class="NormalTextRun SCXW57456453 BCX8">/MG, voltada à implementação das Leis n. 10.639/2003 e 11.645/2008. O estudo utilizou abordagem qualitativa, com análise documental, observação participante e entrevistas semiestruturadas. Os resultados evidenciam que os núcleos desempenham papel estratégico na formação continuada em serviço aberta a profissionais da educação da rede própria e parceira, contribuindo para suprir a ausência da temática étnico-racial na formação inicial de professores e favorecendo práticas pedagógicas antirracistas. Ao mesmo tempo, revelam desafios como a desigualdade entre redes própria e parceira, bem como a dependência do engajamento escolar. A experiência de </span><span class="NormalTextRun SCXW57456453 BCX8">Belo Horizonte</span><span class="NormalTextRun SCXW57456453 BCX8"> demonstra avanços, mas aponta para a necessidade de monitoramento, avaliação e maior integração entre Estado e sociedade civil para a efetividade das políticas.</span></span><span class="EOP SCXW57456453 BCX8" data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:240}">&nbsp;</span></p> Letícia Dos Santos Maria Carolina Tomás Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 A ATUAÇÃO DO PROFESSOR DE SOCIOLOGIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UM DEBATE INTERSECCIONAL SOBRE RAÇA, CLASSE E GÊNERO NO BRASIL //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/655 <p>A presente pesquisa analisa a atuação do professor de Sociologia no ensino médio brasileiro sob uma perspectiva interseccional, examinando como raça, classe e gênero se entrelaçam para moldar a experiência docente e discente. O objetivo é construir um referencial teórico-prático que capacite o professor a promover uma educação antirracista e antissexista, enfrentando o mito da democracia racial e as desigualdades estruturais. A metodologia adotada é a revisão bibliográfica crítica, dialogando com autores seminais do pensamento social e antropológico brasileiro e estrangeiro. Argumenta-se que, ao adotar uma abordagem interseccional, o professor pode desvelar as complexas dinâmicas de poder que operam na sociedade e na sala de aula. O trabalho explora a crítica de Lélia Gonzalez à “neurose cultural brasileira”, a análise de Florestan Fernandes sobre a integração do negro na sociedade de classes e a discussão de Guerreiro Ramos sobre a alienação da sociologia brasileira. Conclui-se que o professor, ao integrar a crítica epistemológica, a análise cultural e a análise estrutural, transforma a sala de aula em um espaço de produção de conhecimento relevante e de fortalecimento da cidadania, permitindo que os alunos se compreendam como sujeitos históricos e agentes de transformação.</p> Bruno da Costa Abreu Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO ENSINO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS: O CASO DA EEMTI PROF. PLÁCIDO ADERALDO CASTELO (FORTALEZA/CE) //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/696 <p>A promulgação da Lei 10.639/03 representou um importante passo do governo federal para tratar da história e importância da população negra, dos africanos, dos afro-brasileiros na constituição de nossa sociedade. Convidados a desenvolver ações em prol dessa lei, professores de todos o Brasil tiveram que implementar em suas aulas a abordagem a essa temática. O presente relato apresenta algumas das ações desenvolvidas pela Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Professor Plácido Aderaldo Castelo, que está situada na periferia de Fortaleza, Ceará. O maior desafio, no início, era como tratar das temáticas propostas quando não se tinha formação adequada, ao mesmo tempo em que o livro didático ainda era deficiente nesse ponto. A saída foi procurar apoio no movimento negro, na universidade ou professores pesquisadores do tema da própria rede estadual que pudessem colaborar. E esse foi o caminho que funcionou. As ações apresentadas não teriam acontecido se não fosse essa rede de colaboração que se formou entre escola, pesquisadores e universidades. O relato dessa experiência visa também colaborar com outros docentes que ainda enfrentam dificuldades para desenvolver atividades educativas na promoção da Lei 10.639/03.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Lei 10.639; Educação Antirracista, Étnico-racial.</p> Sulivan Barbosa de Paulo Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 TERRITÓRIOS DA EDUCAÇÃO: ESCOLAS QUILOMBOLAS DE SANTARÉM, PARÁ //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/708 <p>Neste artigo registramos um perfil informativo-descritivo sobre dez (10) escolas situadas em territórios quilombolas de Santarém-Pará, nomeando os espaços e o tipo de ocupação, identificando as próprias escolas, bem como mencionando a topografia dos territórios geográficos ocupados. Posteriormente, apresentamos uma análise acerca das características pedagógicas destas instituições, dando destaque ao perfil docente. Obtidas em documentos oficiais, sobretudo o Projeto Político Pedagógico (PPP), estas informações foram reunidas neste artigo como parte de uma pesquisa sobre educação escolar quilombola na região Oeste do Estado do Pará. As informações aqui organizadas podem auxiliar localmente e nacionalmente nos atuais debates sobre a constituição do perfil pedagógico-conceitual e sobre a gestão diferenciada destas escolas, permitindo um mapeamento de demandas pedagógicas, materiais, institucionais e formativas que podem ser supridas por meio da ação do poder público. Ao final, trazemos breves reflexões sobre a relação entre pertencimento étnico-racial e trabalho docente.</p> Alan Augusto Moraes Ribeiro Joilson Vasconcelos dos Santos Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 LUGAR E TERRITÓRIO NA COMPREENSÃO DAS VIOLÊNCIAS DA BRANQUITUDE PARA UMA EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA ANTIRRACISTA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/699 <p><span style="font-weight: 400;">O ensino das categorias geográficas lugar e território mobiliza as noções de identidade e pertencimento, além das relações dialéticas entre determinações locais e globais. O presente trabalho objetiva que as categorias lugar e território sejam instrumentos de uma educação geográfica antirracista, a partir de diálogos com os estudos críticos da branquitude. Ao deslocar o branco da posição de normatividade, é possível refletir de modo crítico sobre lugares “apropriados” para cada identidade racial, bem como os processos que criam normas sobre os territórios. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/96), em suas alterações dadas pelas Leis 10.639/03 e 11.645/08, obriga o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, sendo a Educação das Relações Étnico-Raciais parte constituinte do currículo de qualquer disciplina. Embora a raça tenha sido desconstruída biologicamente, visto que a doação de sangue e órgãos não segue nenhuma divisão racial, ela permanece como prática social, com efeitos materiais e simbólicos reais. Sendo o racismo sistêmico, todas as pessoas são socializadas em uma estrutura racista. Optou-se por explorar o racismo científico como meio de expor as violências da branquitude que atravessam a produção científica e cultural, para pensar as formas como educadores projetaram as instituições educacionais e como se dão as práticas presentes nas instituições públicas de ensino em suas relações com a supremacia branca.&nbsp;</span></p> Aline Alves Bittencourt Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 ENTRE MARGENS E SILÊNCIOS: EDUCAÇÃO PARA RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E INCLUSÃO DA PESSOA SURDA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/656 <p>Este trabalho busca refletir sobre as intersecções entre a educação para as relações étnico-raciais e a inclusão da pessoa surda no espaço escolar, reconhecendo as margens e os silêncios que historicamente marcaram a experiência de grupos subalternizados. A análise parte da compreensão de que a escola é um espaço de produção e reprodução de saberes, mas também de desigualdades. Nesse contexto, discutir a educação das relações étnico-raciais significa enfrentar o racismo estrutural, ao passo que considerar a inclusão da pessoa surda implica questionar barreiras comunicacionais, culturais e pedagógicas. O estudo evidencia que ambas as pautas se encontram em um ponto comum: a luta pelo direito à diferença e pelo reconhecimento da diversidade como valor educativo. Por meio de revisão bibliográfica e análise crítica de documentos legais, como a Lei 10.639/2003 e a Lei 10.436/2002, destaca-se que as políticas públicas ainda enfrentam desafios quanto à efetivação de práticas inclusivas que contemplem simultaneamente marcadores de raça, etnia, língua e deficiência. Assim, o artigo propõe a necessidade de uma pedagogia interseccional, que reconheça a pluralidade de identidades presentes na escola e promova metodologias que valorizem tanto a história e cultura afro-brasileira quanto a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como expressão legítima. Conclui-se que somente a partir do diálogo entre essas perspectivas será possível construir uma educação democrática, crítica e inclusiva, capaz de romper com silenciamentos históricos e abrir espaço para a escuta das múltiplas vozes que compõem o tecido social.</p> Taynan Alecio da Silva Giovana Cristina de Campos Bezerra Adriano de Oliveira Gianotto Gleison Fabian Rocha Eduardo Alberto Megda Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 ONDE A LUTA ACONTECE: LEVANTAMENTO DE QUILOMBOS, CAPOEIRAS E TERREIROS DE MATRIZ AFRICANA NA AMAZÔNIA TOCANTINENSE //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/664 <p>O presente artigo resulta de pesquisas desenvolvidas no Curso de Formação para Docência e Gestão em Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola, promovido pela CAPES/UFT. O objetivo central consiste em mapear os movimentos e organizações sociais negras atuantes no estado do Tocantins. O conceito de Amazônia Tocantina é adotado como recorte territorial para a análise das particularidades culturais e das lutas locais. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza documental, com abordagem quali-quantitativa, centrada na localização, identificação e análise de movimentos e organizações sociais negras no Tocantins. O levantamento priorizou comunidades quilombolas certificadas, grupos e mestres de capoeira, bem como terreiros de matriz africana. O corpus documental foi constituído por fontes oficiais — em âmbito estadual e federal — e por fontes bibliográficas e acadêmicas. Foram empregadas ferramentas de Inteligência Artificial (IA) em etapas auxiliares do processo de pesquisa, especialmente na triagem e organização inicial dos dados, preservando-se, contudo, a autoria e a análise crítica do pesquisador na interpretação final dos resultados. Os resultados indicam que, estatisticamente, três em cada quatro habitantes do Tocantins se autodeclaram pertencentes ao grupo negro. O estado conta com 42 territórios de comunidades remanescentes de quilombos e apresenta expressiva efervescência religiosa na capital, Palmas, onde foram identificadas 24 casas e terreiros que ainda enfrentam desafios relacionados ao reconhecimento institucional e à intolerância religiosa. A capoeira encontra-se organizada em federações e projetos de extensão, reafirmando seu papel como manifestação cultural e prática social de resistência e identidade.</p> Valtuir Soares Filho José Damião Trindade Rocha Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA EDUCAÇÃO QUILOMBOLA: DESAFIOS DA IMPLEMENTAÇÃO NA COMUNIDADE DO CÓRREGO DOS IÚS, CEARÁ //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/728 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo analisa a implementação das políticas públicas de Educação Escolar Quilombola (EEQ) na Comunidade Córrego dos Iús, localizada em Acaraú–CE, entre 2014 e 2024, período correspondente à vigência do Plano Nacional de Educação (PNE). A pesquisa adota abordagem qualitativa e exploratória, com base em revisão documental sistemática e análise de conteúdo, visando compreender o alinhamento entre as diretrizes federais da EEQ e sua aplicação local. Os resultados revelam um descompasso entre os avanços normativos,&nbsp; como a Resolução CNE/CEB nº 08/2012 e o próprio PNE e a realidade vivenciada pela comunidade, que permanece sem atendimento escolar territorializado para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. O modelo de nucleação adotado, que exige deslocamento dos alunos para outras localidades, compromete a valorização da territorialidade e da identidade cultural quilombola. Conclui-se que a ausência de infraestrutura educacional, materiais didáticos específicos e propostas curriculares contextualizadas representam uma lacuna na efetivação da justiça educacional e no fortalecimento da identidade étnico-racial da comunidade, demonstrando a falha do Estado em concretizar o direito à educação diferenciada, mantendo uma segregação socioespacial que perpetua as desigualdades.<br></span></p> <p>&nbsp;</p> Danyelle de Lima Teixeira André Gustavo da Silva Antonia de Jesus Sales Rosalma Diniz Araújo Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 “O FILHO DO PEDREIRO VIROU DOUTOR”: ANÁLISE DE DISCURSO SOBRE MERITOCRACIA E RACISMO NO INSTAGRAM DA UFPR //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/643 <p><span style="font-weight: 400;">Este estudo analisa os comentários de uma postagem no Instagram oficial da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizada em 23 de novembro de 2024, que celebrava a formatura de Adrian Castro (2024), médico negro formado por meio do sistema de cotas. Foram coletados 145 comentários, os quais foram organizados e analisados com base nos conceitos de reconhecimento, de Nancy Fraser (2022). A análise de discurso, utilizada como metodologia principal, demonstrou uma dicotomia entre narrativas de apoio às políticas afirmativas e discursos de exclusão pautados no mito da meritocracia. Cerca de 40% dos comentários apresentaram reconhecimento à trajetória de Castro (2024), enquanto 35% refletiram discursos racistas e meritocráticos, e 25% foram categorizados como neutros ou ambíguos. Os resultados indicam que, apesar do impacto positivo das ações afirmativas, o racismo estrutural permanece imiscuído nas interações digitais, demonstrando a necessidade de um debate público mais profundo e de políticas que mitiguem as desigualdades. Este trabalho contribui para a compreensão das tensões discursivas sobre inclusão racial e ações afirmativas, oferecendo subsídios para práticas e políticas que promovam uma sociedade mais equitativa.</span></p> Shayene Ferreira de Jesus Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 RESGATE CULTURAL E PEDAGÓGICO DOS JOGOS DE MATRIZ AFRICANA: PRÁTICA PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACIAL //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/645 <p>Este trabalho é um relato de experiência sobre a construção e prática de jogos de matriz africana: Mancala, Shisima, Yoté e Labirinto de Moçambique, como prática pedagógica em sala de aula, com enfoque no resgate cultural e na promoção de uma educação antirracial e mais participativa. Ela foi desenvolvida com estudantes do curso de pós-graduação em “Saberes e Práticas Afro-brasileiras e Indígenas na Amazônia”, tendo como objetivo principal refletir sobre as práticas desenvolvidas em torno dos jogos de matriz africana como ferramenta pedagógica, buscando valorizar a diversidade cultural africana, fortalecendo a identidade afrodescendente e contribuindo para a desconstrução de preconceitos raciais no ambiente escolar. Os jogos trabalhados além de terem uma carga cultural ligada diretamente a história do Brasil, favorecem o desenvolvimento de competências socioemocionais, como o trabalho em equipe, a empatia e o respeito pelas diferenças. Observando o comportamento e as falas após a construção e a prática dos jogos de matriz africana, foi observado potencial para ampliar o conhecimento sobre as culturas africanas, usando a forma lúdica que contribui no interesse do aluno em participar, além de quebrar a dinâmica engessada de ensino puramente expositivo professor-aluno, isso ajuda a promover o diálogo sobre questões raciais e a importância de combater o racismo estrutural. O presente relato destaca que a utilização dos jogos de matriz africana, pode ser uma ferramenta importante e necessária na formação dos professores que, ao utilizarem em suas práticas no ambiente educacional, contribuem para uma educação antirracial e uma sociedade mais justa e igualitária.</p> Marcilena da Cunha Alves João Ricardo Barros Silva Jonatha Pereira Bugarim Rafaela Cristina Araújo-Gomes Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 O LAZER E O CONHECIMENTO ATRAVÉS DAS BRINCADEIRAS E JOGOS DE MATRIZ AFRICANA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/647 <p>A identidade cultural regional das brincadeiras e jogos de matriz africana foram silenciadas devido a vários fatores, no entanto o resgate desses são fundamentais para alicerçar o valor de pertencimento de suas origens enquanto elemento essencial de formação do cidadão por meio das atividades lúdicas permeadas pela ação do lazer. O objetivo do estudo foi relatar a experiência do lazer através da aplicação de brincadeiras de matriz africana em uma turma de 5º ano de uma escola pública da cidade de Porto Velho-RO, com o intuito de mostrar que a diversidade do conhecimento pode ser adquirida via essas brincadeiras, correlacionando-as ao resgate e a sustentabilidade de sua coexistência e resistência da identidade cultural entre os parâmetros socioculturais modernos. Foram realizadas pesquisas bibliográficas, uma análise qualitativa subjetiva dos fatos e uma narrativa do relato da experiência. A aplicação foi realizada durante uma aula de Educação Física, com as brincadeiras pengo-pengo, terra-mar e preso na lama. Durante a experiência vivenciada, notou-se uma interação social dos alunos mediante a troca de saberes, de tomada de decisões, demonstrados nas ações de suas falas e gestos faciais o quanto ficaram surpreendidos em aprender que as brincadeiras possuem uma história de identidade e que suas modificações fazem parte de um processo evolutivo e cultural, difundido de origens africanas e adaptadas em cada região brasileira. Logo, essa experiência mostrou que o lúdico incorporado no lazer se torna uma ferramenta de aprendizado valiosa no resgaste da identidade cultural sem que haja distorção da singularidade da essência do brincar.</p> Márcia Celleny Mousinho Castro Olivar de Souza Martins Jéssika Paiva França Rafaela Cristina Araújo-Gomes Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 EXPERIMENTAÇÕES COM O CINEMA NO ENSINO DE GEOGRAFIA: RASURANDO IMAGENS HEGEMÔNICAS E POSSIBILITANDO NOVOS OLHARES PARA OS POVOS INDÍGENAS EM DOURADOS-MS //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/695 <p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"><span lang="PT">Este trabalho tem como objetivo, a partir de experimentações com a linguagem cinematográfica no contexto do ensino e aprendizagem em Geografia, possibilitar outras formas de imaginar e perceber o espaço geográfico. Com base nas proposições contidas nos referenciais curriculares do Estado de Mato Grosso do Sul para o ensino médio, foram desenvolvidas experimentações com o cinema enquanto prática pedagógica articulada ao uso de diferentes linguagens no ensino de Geografia. A proposta consiste em viabilizar outras formas de produção de conhecimento por meio de distintas linguagens. Assim, a experimentação com o cinema se deu a partir do disparador <strong>“Povos Indígenas em Dourados-MS”</strong><strong>,</strong> tomado como ponto de partida e produtor de conhecimento. O texto apresenta dois movimentos necessários: no primeiro, busca-se revisitar as imagens e narrativas hegemônicas acerca da presença e participação dos povos indígenas na formação territorial do Brasil, frequentemente associadas à ideia de tutela e à ausência de intencionalidade. No segundo movimento, o objetivo consistiu em convidar os alunos, a partir de quatro temas geradores, a refletirem sobre as imagens de nosso município referentes aos povos indígenas, com o intuito de rasurar as imagens hegemônicas e, a partir do encontro entre sujeitos, possibilitar outras formas de vivenciar o espaço geográfico. Por fim, compreende-se a necessidade de processos formativos contínuos, nos quais a universidade e a educação básica possam se fazer presentes em um entrelaçar de ideias e fazeres, de modo que as especificidades dos sujeitos possam emergir.</span></p> Luis Henrique Dias Rocha Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 TIO, EU VI MINHA MÃE OXUM! — EDUCAÇÃO, RACISMO RELIGIOSO E ESPERANÇA //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/662 <p>Este artigo reflete sobre a presença do racismo religioso no cotidiano escolar e as possibilidades de resistência por meio de práticas pedagógicas afrocentradas. A partir de um relato de experiência vivenciado durante o mês da Consciência Negra em uma escola pública da Zona Norte do Rio de Janeiro, analisa-se a reação da comunidade escolar à realização de uma apresentação teatral que abordava elementos das religiões de matriz africana. O episódio evidencia como a suposta neutralidade da escola, muitas vezes, opera como pacto de silenciamento das espiritualidades negras. Fundamentado em autores como Freire (1996), Munanga (1999), Nascimento (1980), Bento (2019), Gomes (2005), Asante (1991) e Nogueira (2020), o estudo discute como a afrocentricidade, a oralidade e a espiritualidade se configuram como dimensões legítimas da formação escolar. A metodologia utilizada é narrativa e qualitativa, centrada no relato vivido pelo autor enquanto coordenador pedagógico. O texto evidencia tanto os obstáculos institucionais — marcados pelo medo da diferença e pela omissão diante do racismo religioso — quanto a potência das infâncias negras em reencantar a escola e afirmar sua ancestralidade. O reencontro simbólico de uma criança com Oxum, durante a apresentação, torna-se o marco da esperança e da resistência educativa, apontando para caminhos possíveis de ruptura com o modelo eurocentrado dominante.</p> Vinicius Ribeiro Freire Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 ENTRE HISTÓRIAS E RESISTÊNCIAS: MULHERES QUILOMBOLAS ENQUANTO EDUCADORAS NA COMUNIDADE CASTORINA MARIA DA CONCEIÇÃO (PALMAS – PARANÁ, BRASIL) //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/736 <p>A pesquisa foi realizada na Comunidade Quilombola Castorina Maria da Conceição (Palmas – Paraná, Brasil), onde se analisou o papel das mulheres quilombolas na construção do território e da identidade. É importante compreender como suas experiências e práticas como mulheres contribuem para a continuidade da territorialidade quilombola, repassada através de histórias e práticas de educação informal. A metodologia se dá de forma qualitativa, baseada em análise bibliográfica, entrevistas semiestruturadas, história oral, observação e diário de campo. Os dados foram interpretados por meio da análise de conteúdo de Bardin. As mulheres são as principais responsáveis ​​pelos cuidados domésticos e pela transmissão da memória coletiva, ao mesmo tempo que enfrentam sobrecarga e desigualdade no acesso à terra. Suas práticas constituem formas de resistência contra o racismo e a invisibilidade do Estado. Este trabalho contribui para o fortalecimento das geografias negras e feministas, propondo reflexões sobre a centralidade das mulheres nos processos de territorialização e construção identitária.</p> Valentina Coelho de Souza Ferreira Roselí Alves dos Santos Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 O RACISMO RELIGIOSO E A INTERCULTURALIDADE CRÍTICA ENTRE OS GUARANI E KAIOWÁ EM MATO GROSSO DO SUL //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/733 <p>O racismo religioso é um fenômeno que causa a perseguição e subalternização de práticas religiosas de determinados grupos que já são subalternizados socialmente. Essa perseguição se baseia devido à raça e a cultura que pertencem e não à prática em si. O conceito de interculturalidade crítica propõe uma problematização da noção original do conceito de interculturalidade, diante das assimetrias de poder que incidem sobre as culturas. O objetivo deste trabalho é analisar o racismo religioso sofrido pelos povos indígenas Guarani e Kaiowá em um diálogo com a interculturalidade crítica. Para isso, explora-se a atuação da Grande Assembleia das Mulheres Guarani e Kaiowá na divulgação e combate aos casos e a ação dos rezadores e rezadores diante dos ataques de grupos neopentecostais. Os dados apresentados são dados são oriundos de dissertação de mestrado defendida neste ano, e obtidos por meio de pesquisa documental, realização de trabalho de campo e observação participante. Observa-se que a atuação do coletivo indígena estudado e dos rezadores e rezadoras na divulgação e combate do racismo religioso vão ao encontro do que se entende como interculturalidade crítica, buscando a defesa de seus modos de existir, afirmação identitária e mobilização de apoio dos não-indígenas para suas lutas.</p> Roberto Chaparro Lopes Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 CORPOS, SABERES E TERRITÓRIOS: EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E PRÁTICAS DECOLONIAIS EM CONTEXTOS PERIFÉRICOS //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/702 <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo analisa práticas pedagógicas antirracistas em territórios periféricos, enfocando a construção identitária e cultural de crianças muito pequenas do Grupo 01 de uma creche localizada no bairro do Coque, em Recife, a partir de saberes afro-brasileiros e indígenas. Parte-se do reconhecimento histórico do colonialismo, da escravidão e do racismo estrutural no Brasil, evidenciando como tais processos impactam a organização das escolas, currículos e materiais didáticos, reproduzindo desigualdades e invisibilizando saberes marginalizados. A pesquisa adota abordagem qualitativa, integrando observação participante, entrevistas semiestruturadas e análise documental das atividades desenvolvidas no cotidiano da creche e em espaços de mediação cultural. Os resultados demonstram que práticas de leitura de literatura afro-brasileira, oficinas culturais, músicas e atividades corporais promovem a valorização da identidade racial, fortalecem o pertencimento territorial e possibilitam a construção de uma consciência inicial sobre diversidade e pertencimento cultural. Observa-se que a incorporação de saberes comunitários e culturais transforma o território periférico em espaço legítimo de aprendizagem, rompendo com a lógica eurocêntrica e elitista dominante. Conclui-se que iniciativas pedagógicas dirigidas a crianças muito pequenas, quando articuladas com cultura e território, contribuem para a formação de sujeitos críticos, conscientes de sua história e cultura, favorecendo uma educação antirracista, decolonial e intercultural desde os primeiros anos de vida.</span></p> Hellen Vitoria de Lima Santos Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 ALUNO INVISÍVEL, ESCOLA HOSTIL E INDISCIPLINA: RELATO DE ESTÁGIO DOCENTE EM UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA DE BELÉM, PARÁ, BRASIL //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/652 <p><span style="font-weight: 400;">Esse trabalho trata de invisibilidade e de microviolência, em relação a alunos negros e moradores de baixadas, com o objetivo de entender como estas questões afetam a formação dos alunos e pensando em uma metodologia antirracista de ensino. Questiona-se o método hegemônico, em que a Geografia trabalha as relações entre homem e espaço, buscando utilizar o meio histórico-geográfico para compor uma didática melhorada, bem como ressaltar a importância do ensino antirracista para se obter uma melhor abordagem educacional. A pesquisa apresentou resultados bastante interessantes, principalmente em termos da relação escola-aluno e de como ela pode ser negativa na vida dos alunos.&nbsp;</span></p> Cassio Henrique Costa Oliveira Claudiana Viana Godoy Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19 EDITORIAL //rhet.uvanet.br/index.php/rhet/article/view/750 <p lang="en-US" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">A Revista Homem, Espaço e Tempo, em seu compromisso de difundir o conhecimento científico, lança sua edição 19, volume 2, ano 2025 composta por nove artigos oriundos pesquisas acadêmicas na área de ciências humanas e 23 artigos do “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>Dossiê E</strong></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>ducação para relações étnico-raciais e a construção de um Brasil democrático e popular: Território, Interculturalidade e Saberes que vêm das margens”.</strong></span></span></span></p> <p lang="en-US" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">Os artigos da edição 19 - número 2, possem uma diversidade temática e se inserem no foco e escopo da revista, consolidando a importância regional, nacional e internacional do periódico. Esses trabalhos, ao dialogarem com questões ambientais, sociais, históricas e territoriais visam promover uma reflexão crítica e contínua sobre as relações humanas no âmbito da natureza e da sociedade.</span></span></span></p> <p lang="en-US" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">Nesta edição damos destaque aos artigos que integram o Dossiê </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>“E</strong></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>ducação para relações étnico-raciais e a construção de um Brasil democrático e popular: Território, Interculturalidade e Saberes que vêm das </strong></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>margens”.</strong></span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">Esse Dossiê foi pensado pelas organizadoras como proposta de trazer ao centro da discussão acadêmica</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"> a educação para as questões étnico raciais situando-a no Brasil em diversos aspectos. A extensão deste debate é fruto da luta histórica dos movimentos sociais negros e indígenas e, consequentemente, motivada pelo avanço das políticas públicas associadas a estas lutas.</span></span></span></p> <p lang="en-US" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">Em um país cuja formação histórica e social é marcada pelo colonialismo, escravagismo e racismo há ainda muitas limitações e dificuldades para implementação de uma educação antirracista e anticolonial. Kabengele Munanga nos conduz a refletir que as raízes do colonialismo estão presentes nas estruturas educacionais brasileiras e gera uma normalização de uma lógica racista e elitista nas relações e na produção de conhecimentos científicos no território nacional. Estas limitações podem ser percebidas na dificuldade da efetivação de conteúdos e práticas antirracistas no cotidiano escolar, na demora em renovar currículos e na resistência em reconhecer o status epistemológico dos saberes indígenas, africanos e afro-brasileiros. Nota-se a persistência de práticas coloniais nos livros didáticos, nos planos de aula, nos projetos político pedagógico dos cursos e nas atividades cotidianas dos espaços educacionais. </span></span></span></p> <p lang="en-US" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">Há, ainda, um longo caminho para percorrer e avançar nesta perspectiva, embora diversas iniciativas atuem como forças de resistência e renovação deste cenário. Neste sentido, o Dossiê </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>"</strong></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>Educação para relações étnico-raciais e a construção de um Brasil democrático e popular: Território, Interculturalidade e Saberes que vêm das margens</strong></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>”</strong></span></span></span> <span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">selecionou e organizou artigos que </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">contribuem para reflexão sobre um projeto de Brasil popular distanciado da égide eurocêntrica, branca, patriarcal e colonial. Ao mesmo tempo, colabora no fortalecimento das identidades e das culturas populares que historicamente foram negadas e silenciadas, a partir de um nexo entre raça, classe e gênero, corroborando com o conceito de amefricanidades de Lélia Gonzalez, enquanto uma categoria que funciona como lente para refletirmos sobre a percepção de um Brasil a partir da diversidade e interculturalidade que compõem o seu povo. </span></span></span></p> <p lang="en-US" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">O Dossiê </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">considera urgente construir reflexões sobre as concepções, práxis e experiências voltadas para uma educação antirracista que contribuem e tem potencial para a construção de uma sociedade democrática e emancipatória, sobretudo, nos campos da Geografia, História, Ciências Sociais e áreas afins. </span></span></span></p> <p lang="en-US" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">Cabe mencionar que o dossiê recebeu 64 textos e que todos foram submetidos a avaliação por pares. Os artigos que ainda continuam em avaliação, serão, caso aprovados, inseridos nesta edição de 2025.1. </span></span></span></p> <p lang="en-US" align="justify"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">As organizadoras do Dossiê agradecem aos autores e autoras pelas contribuições científicas e convidam a todos/as à leitura dos artigos presentes nesta edição. Boa leitura!</span></span></span></p> <p lang="en-US" align="center"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">Equipe Editorial da Revista Homem, Espaço e Tempo e Organizadoras do Dossiê E</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;">ducação para relações étnico-raciais e a construção de um Brasil democrático e popular: Território, Interculturalidade e Saberes que vêm das margens.</span></span></span></p> <p lang="en-US" align="center"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Garamond, serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>Dezembro de 2025</strong></span></span></span></p> Bruna Dayane Xavier de Araújo Glauciana Alves Teles Lara Denise Oliveira Silva Copyright (c) 2025 Revista Homem, Espaço e Tempo 2025-12-28 2025-12-28 2 19